Camboja: Uma realidade de pobreza para pessoas LGBTI. Uma entrevista com o ativista Srorn Srun

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1)    Na sua experiência, quais são os principais problemas que pessoas LGBTI que vivem na pobreza enfrentam em Camboja?

No meu ativismo em Camboja, já notei os seguintes desafios que muitas pessoas LGBTI enfrentam por causa de sua orientação sexual, identidade de gênero ou a aparência dos seus corpos:

Srorn HR radio

‘Srorn fala sobre direitos LGBTI no rádio’

(a)  Um problema que a maioria dos LGBTI enfrentam é a rejeição por parte de suas famílias, o que os força a sair de casa, abandonar os estudos em uma idade muito nova e viver na pobreza. Famílias com crianças LGBTI se sentem envergonhadas e são pressionadas pelos seus vizinhos e parentes a rejeitá-las;

(b)  A polícia costuma discriminar gays e mulheres trans, chegando até a prendê-las em lugares públicos. Ademais, muitas lésbicas e homens trans são forçados a casarem com outros homens pelas suas famílias, apoiadas por políticos e a polícia locais, mesmo que não haja leis que criminalizam pessoas LGBTI em Camboja;

(c)  Outro problema importante que afeta a comunidade LGBTI é a falta de acesso a serviços de saúde, incluindo saúde reprodutiva e sexual, o que contribui para agravar sua situação de pobreza. Por exemplo, muitos homens e mulheres trans usam hormônios para alterarem seus corpos. No entanto, só tem acesso a tais remédios de forma ilegal e muitos acabam morrendo ou ficando gravemente doentes. Também é muito comum que HSH e homens gays contraíam HIV e outras DSTs, contribuindo ainda mais para que se tornem pobres.

2)    Comovocê acha que pessoas LGBTI podem superar tais desafios?

Srorn pic

‘Srorn ativista LGBTI Camboja’

Infelizmente, por causa da ampla discriminação que pessoas LGTBTI enfrentam, fica muito difícil superar os desafios acima mencionados. Eu acho que homens gays e mulheres trans tendem a ser mais independentes porque nasceram no sexo masculino, o que de certa forma, em nossa sociedade, é mais fácil para eles cria coragem e deixar suas famílias, embora acabem enfrentando outros problemas. Uma vez que pessoas LGBTI são rejeitadas pelas suas famílias, elas ficam sem abrigo e acabam dependendo do suporte de amigos, os quais oferecem lugares temporários para dormir. Na tentativa de ganhar uma renda, muitos se tornam profissionais do sexo, inclusive lésbicas que foram rejeitadas pelas suas famílias. Frequentemente trabalham na indústria de entretenimento e vendem seus corpos bem como drogas. O pouco suporte que recebem do governo é mais para prevenção de HIV/AIDS do que para combater pobreza e dificilmente tais benefícios são exclusivos às pessoas LGBTI, principalmente em relação a lésbicas e homens trans.

3) Que tipo de apoio você acha que as pessoas LGBTI precisam para sair da pobreza?

a) Empoderamento. Isto pode ser conseguido, dando às pessoas LGBTI informação e orientação para sair do armário, estar seguros dentro de suas famílias e evitar abandonos.

b) Eu acredito que a educação e aprendizagem são algumas das necessidades mais importantes para todos os seres humanos. Pelos motivos expostos acima, em Camboja pessoas LGBTI têm pouca ou menos chances de adquirir habilidades profissionais em comparação com as pessoas heterossexuais, o que tem um impacto sobre sua capacidade de ganhar renda e sair da pobreza.

c) Ajudar os LGBTI a obter renda também é crucial. Ajudá-los a iniciar pequenos negócios, por exemplo, não só os ajuda a sobreviver após a rejeição inicial da família e a perda de suas redes de segurança, mas também mudam as atitudes sociais. Seus pais e suas comunidades vão começar a aceitá-los, porque pessoas bem-sucedidas e financeiramente independentes recebem mais respeito e aceitação. Alterar essas relações econômicas certamente tem um impacto positivo nos direitos humanos das pessoas LGBTI e mudam as atitudes negativas em relação a eles.

4) Quais são as ferramentas / estratégias de defesa que os ativistas podem usar para ajudar as pessoas LGBTI que vivem na pobreza a melhorar a sua situação socioeconômica?

Srorn Rainbow CAT

‘Srorn fazendo capacitación profesional de activistas locais’

Há várias maneiras para que ativistas contribuam para o empoderamento econômico das pessoas LGBTI. Um deles é documentar casos de pobreza, miséria e discriminação, a fim de provar ao governo e outras ONGs que as pessoas LGBTI merecem a chance de ser incluídos em todos os programas de desenvolvimento social e econômico, que por enquanto as exclui sistematicamente. Outra forma seria ajudar as pessoas LGBTI a adquirir novas habilidades que eles podem usar para iniciar pequenos negócios (um salão de beleza, um pequeno restaurante, uma loja de roupas, etc) ou para encontrar emprego. Finalmente, a maioria dos meios de comunicação em Camboja está cada vez mais dispostos a discutir questões LGBTI. Estar mais presente na mídia, ganhar mais espaços para falar no rádio, por exemplo, também teria um enorme impacto na melhoria da situação social das pessoas LGBTI.

5) Você já teve alguma experiência bem sucedida neste sentido? Por favor, compartilhe conosco!

RoCK tem defendido os direitos das pessoas LGBTI durante vários anos e, apesar de reconhecermos que o caminho para a igualdade ainda é muito longo, estamos muito orgulhosos do sucesso do nosso trabalho até agora. Recentemente, apoiamos o caso de uma lésbica que foi presa e acusada de estupro sob a “lei do tráfico humano”. Conseguimos com sucesso obter sua liberdade e apoiamos diversas outras lésbicas a enfrentar o abuso de suas famílias. Também produzimos notícias positivas na mídia, falado em várias estações de rádio e tivemos respostas positivas do primeiro-ministro, que se comprometeu em acabar com a discriminação contra as pessoas LGBTI. Fizemos um levantamento sobre a exclusão social das pessoas LGBTI e incluímos na agenda da MoWA para acabar com a violência contra LBT para 2013-2017. Para mais informações sobre o nosso trabalho, consulte o nosso website: www.rockhmerlgbt.wordpress.com

Srorn Srun é um ativista LGBTI proeminente em Camboja.

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Se você gosta de nosso trabalho, por favor, ajudem-nos! Cada centavo doado será utilizado exclusivamente para o custeio de atividades que abordam a pobreza das pessoas LGBTI no mundo.

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